O número de pessoas vivendo em situação de rua continua crescendo no Brasil. Segundo levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/Polos-UFMG), o país chegou a 365.822 pessoas nessa condição no final de 2025.
Os dados, baseados no Cadastro Único (CadÚnico), mostram que a população em situação de rua vem aumentando de forma contínua desde 2022. A Região Sudeste concentra a maior parcela, com 222.311 pessoas, cerca de 61% do total nacional.
São Paulo lidera entre os estados, com 150.958 pessoas, seguido pelo Rio de Janeiro, com 33.656, e Minas Gerais, com 33.139.
Entre os fatores apontados pelos pesquisadores estão a insuficiência de políticas públicas estruturantes, como moradia, trabalho e educação, a precarização das condições de vida após a pandemia, o fortalecimento do registro no CadÚnico e os impactos das emergências climáticas e dos deslocamentos forçados.
Para representantes do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo, enfrentar essa realidade exige combater o preconceito e ampliar oportunidades de moradia, capacitação profissional, emprego, alimentação e acesso à saúde.
A população em situação de rua não deve ser tratada como um problema a ser escondido, mas como parte da sociedade e como cidadã, com direito à dignidade, ao cuidado e a novas oportunidades.
Mais do que números, são 365 mil histórias de vida que cobram do poder público políticas de inclusão, cidadania e direitos.
Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil
Foto: tânia rêgo/agência brasil