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População em situação de rua precisa ser ouvida — e ocupar o microfone
Nova política do DF coloca direitos em debate, mas garantir cidadania também significa garantir voz, participação e espaço para quem vive nas ruas
Por Administrador
Publicado em 09/09/2026 14:40 • Atualizado 11/09/2026 12:25
Políticas Públicas

Já está em vigor no Distrito Federal a Lei nº 7.923/2026, que institui a Política Distrital de Acolhimento Humanizado e Atenção Integral à População em Situação de Rua. Regulamentada pelo Governo do DF em agosto, a política prevê ações nas áreas de saúde, assistência social, moradia, trabalho, educação e garantia de direitos.

Mas, para quem vive nas ruas, política pública não pode ser apenas aquilo que o Estado decide e executa. A população em situação de rua precisa estar no centro das decisões que afetam sua própria vida.

São pessoas que conhecem os territórios, identificam suas necessidades, constroem redes de solidariedade e desenvolvem estratégias cotidianas de sobrevivência e resistência. Esses conhecimentos precisam ser reconhecidos como parte fundamental da construção das políticas públicas.

Protagonismo não é apenas ser ouvido

A participação da população em situação de rua não pode se limitar a ser consultada depois que as decisões já foram tomadas.

Protagonismo significa participar da construção, acompanhar a execução, fiscalizar, propor mudanças e ocupar os espaços onde as políticas são debatidas.

Significa também ter acesso aos meios para contar a própria história.

É nesse ponto que a comunicação popular se torna uma ferramenta de participação e de luta por direitos.

A população em situação de rua não deve aparecer apenas como personagem de matérias jornalísticas, estatísticas ou campanhas institucionais. Ela também pode ser repórter, comunicadora, entrevistadora, fotógrafa, produtora e narradora da realidade.

A rua produz conhecimento

Existe conhecimento produzido todos os dias nas ruas: sobre a cidade, sobre os serviços públicos, sobre violência, saúde, trabalho, moradia, cultura e sobre as próprias formas de organização e resistência.

Valorizar esse conhecimento é reconhecer que quem vive a realidade também tem capacidade para analisá-la e transformá-la.

Por isso, a comunicação popular deve abrir espaço para que a população em situação de rua produza informação e dispute as narrativas sobre si mesma.

Não queremos apenas falar sobre a população em situação de rua. Queremos construir uma comunicação com ela e a partir dela.

Direito à cidade, direito à comunicação

A população em situação de rua é parte da cidade. Tem direito à saúde, alimentação, moradia, trabalho, cultura, educação, segurança, convivência e dignidade.

E tem também o direito de comunicar, de ser reconhecida e de participar das decisões sobre a cidade que também é sua.

A nova política do DF só poderá cumprir seu papel se for implementada com participação social e com o reconhecimento da população em situação de rua como sujeito de direitos e sujeito político.

A Rádio Papelão se coloca nesse caminho: fortalecendo a comunicação feita a partir do território, valorizando saberes populares e criando espaço para que pessoas em situação de rua sejam protagonistas de suas próprias narrativas.

Não queremos falar pela rua. Queremos que a rua fale, produza, participe e decida.

Rádio Papelão — comunicação popular, protagonismo e direitos para quem vive nas ruas.

 

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