Racismo não é assunto de gabinete. É coisa que atravessa a vida real.
Está aberta até 16 de outubro de 2026 a consulta pública para construção do 2º Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Planapir).
Traduzindo para a linguagem da rua: o governo está recebendo propostas para definir ações e políticas públicas de enfrentamento ao racismo e às desigualdades raciais no Brasil.
E aí vem a pergunta da Rádio Papelão:
Quem vive essa realidade vai participar dessa construção?
Tem que participar.
Porque quando a gente fala de igualdade racial, não está falando apenas de discurso bonito. Estamos falando de trabalho, moradia, saúde, educação, cultura, segurança, alimentação, assistência social, acesso a direitos e dignidade.
E tudo isso tem impacto direto na vida da população negra.
Inclusive de quem está vivendo nas ruas.
A rua também precisa estar nessa conversa
Para quem está em situação de rua, falar de igualdade racial é falar de uma realidade que muitas vezes se cruza com outras formas de exclusão.
É chegar a um serviço público e ser tratado como invisível.
É enfrentar o preconceito por ser negro.
É enfrentar o preconceito por estar na rua.
É ter dificuldade para conseguir documentação, trabalho, atendimento de saúde, moradia e acesso às políticas públicas.
É ter sua voz muitas vezes ignorada justamente quando as decisões estão sendo tomadas.
Por isso, participar de uma consulta pública também é uma forma de ocupar a política com a nossa voz.
Não é só para especialista
A consulta do Planapir está organizada em 16 eixos, que passam por temas como trabalho, educação, saúde, assistência social, cultura, segurança pública, comunidades quilombolas, povos de terreiro, mulheres negras, juventude negra, população LGBTQIAPN+ negra, racismo ambiental e comunicação.
A proposta é que a sociedade possa apresentar sugestões, modificar propostas existentes e incluir novos objetivos.
Ou seja: não precisa ser doutor, professor, advogado ou político para dizer o que precisa mudar.
Quem vive no território também produz conhecimento.
Quem enfrenta o racismo todos os dias sabe onde o problema aperta.
Quem vive na rua sabe o que falta.
Quem está na quebrada sabe o que precisa chegar.
E quem nunca teve sua voz ouvida também tem direito de falar.
A Rádio Papelão chama para a participação
A gente acredita que comunicação popular também é ferramenta de participação política.
Por isso, fica o chamado:
Se você vive na rua, trabalha com a população em situação de rua, atua em movimentos sociais, coletivos, comunidades, organizações ou simplesmente quer contribuir para uma sociedade menos racista, participe.
Não deixe que decidam tudo sem ouvir quem está vivendo a realidade.
️ Sua voz também constrói política pública.
A consulta pública do 2º Planapir fica aberta até 16 de outubro de 2026, pela plataforma Brasil Participativo.
Participe e coloque sua voz nessa construção.
Fonte: Agência Brasil.
Edição: Rádio Papelão.
Foto: Tânia Rego